Estou deitada de lado, na cama

Estou deitada na cama, de lado.
Estou enfiada no meio dos lençóis
E é só isto que vos tenho a dizer.
Estas palavras ocas e espelhadas
Como que se o que escrevesse
Fosse para alguém invisual…
E só retratasse uma foto de mim
Deitada na cama
Por entre os lençóis.
De seguida o cego fechava os olhos
(como que se precisasse de o fazer)
E imaginava-me
Enfim.
Sei que as palavras também servem para isto,
Para retratar.
Mas para mim que devo tanto à literatura
Custa-me começar um texto ,
Como comecei.
E agora mesmo que queira apaga-lo,
Ou deixar de o escrever,
(Esquece-lo apenas)
Não consigo…
Ja Faz parte.
Entranhou-se na ponta dos meus dedos
E só descansa quando a linha deste
Maldito raciocínio acabar…
Como um dia acabarão as minhas pernas
De tanto se enrolarem nos lençóis.
E de tão pouco correrem
E lutarem
Por elas mesmas.
So para não morrerem
So para eu viver.
Habituação estranha da pele ao lençol
De seda escrita
Mas que de algodão fraco é.
Que se cola à pele molhada por vezes
E irrita.
Mas não me levanto nem quando à fogo
E sabem que o sinto bem
à minha volta
A queimar o que por aqui existe.
Mas não quero saber
Nem sei já o que sei.
Sei que estou deitada de lado, na cama.
Enfiada nos meio dos lençóis.
E a única tristeza 
Que sinto agora
é terem(-me) conseguido ler até ao fim.
No final de contas também se deitaram
Esperem pelo fogo, agora
Que ele não tarda.

Carmin

Se me dices que mi sonrisa es bonita,
Y que es de alegria,
No es por estos dientes torcidos de nacimiento.
No es por mi boca, un poco grande.
No son estos mofletes que se apretan.
Es porque ‘Tu’ eres esto y no aquello
Y consigues verme y no mirarme.
Porque existe la diferencia entre ser y Ser.
Porque lo que vemos,
Es siempre mas bello cuando lo hacemos de bien.
Se me dices que mi sonrisa es bonita,
Es porque me miras como cuando me lees.
A mi.
Reflejada en todos los que me ven.
Incluso con carmin,
Sin maquillaje.

"

¨Para quem se interessa em (me) ler, é mais facil por aqui.

www.palavradesodomaegomorra.blogspot.com

Amor!

"

Piedade

Se tivesses ao menos piedade Senhor
Tu que te dizes maior que a Natureza
Como não tens nesse espírito
Que em todo lado supostamente está 
Pena  dos pobres que na rua cambaleiam
Deixa cair dos teus céus o maná
O teu vinho de uvas roxas que alimenta
Não deixes os teus filhos cegarem
De tanto rezarem pelos céus
E enquanto só deres a quem sempre teve
E nos fizeres soberbos como um santo
Pondo a mão no umbigo e baixando o pescoço
Não perceberemos nunca que os pobres somos nos
Com tanto na mesa que comemos e despedaçamos
Deixando-nos influenciar por tudo e todos
Nunca ajudando quem nos grita ao ouvido
Se tivesses piedade Senhor
E fosses ar, e rocha, e tempestade e calmaria
Não nos deixarias afundar neste poço sem fim
Que é esta avareza de querer ser maior que os outros
Cega-nos, um por um, e só ai realmente nos veremos 
Tira nos por favor desta prisão que é a retina

Carta n. 5486268 

Amor,

De há tantos anos, de anos tão longos

Que se fecho os olhos quase que esqueço
Se algum dia houve o antes de ti.
Que de lágrimas me fizeste,

Que com larva me derreteste os pés, as mãos.

Olhamos ambos em frente, abraçados,
Eu vi azul, tu não viste cor alguma.
Sabes que depois te termos escolhido a cor do nosso coração,
Muito pouco podemos fazer.
Os pássaros que se põem na janela a cantar enquanto escrevo,
São reais,
As palavras que pronuncio calada, também.
O nosso amor já é, agora, uma realidade paralela.
Se me esqueceres hoje, esquecer-te-ei depois
Porque de tanto te pedir por favor,
O meu tom baixou o volume e agora só para dentro fala.
Se fugires e não me arrancares deste solo que me puxa,
Nada farei, nada de direi.
Vais e voltas quando achares necessário
Ou então, eu vou e não volto nunca.
Amor,
Que de tanto pedir que ames, me amei tão pouco…
A realidade é aquela que só nós queremos ver,
E esta ânsia de ser amada tornou-se
Na Dor de ter sido esquecida.
Nos teus braços que me dei um dia
Sinto agora que não me abraçarão nunca.
Como naquele dia em o meu amor era teu, e só.
A Avenida que percorri tornou-se longa de mais
E pensar em voltar para trás só para te ver,
Da me náuseas, erro cada pensamento.
Canso cada pisadela de asfalto.
Não me envolvas se o não quiseres
Da-me a agua que preciso para ir embora
E não tenhas sensibilidade na consciência.

Essa já te morreu há muito.

(Pior é que a mim também)

Menina-Mulher-Egoista

Havia uma menina de seu nome Egoísta

Com pernas longas e fortes 

Ao Sol vivia sempre

Para a sua pele ser morena e bonita.

Tinha hálito de menta e alecrim

Dizia palavras doces da sua boca 

E guardava para si todo o conhecimento do Mundo

Pensava ela (de si) “de mim”.

Cria que todos os outros seres pensantes

Eram uma grande imitação

Que  todos se alimentavam do sumo dela

Não via nunca que a beleza se cria muito antes

Que pele é essa que de tão queimada é

Que da sua boca pensara sair todas as letras do Mundo

Uma alma que só se alimenta do desprezo dos outros

Que se enruga de tristeza ao Ser aquilo que o é.

Que de se exibir viver e de alto falar

Abafa quase todos os sons da rua

E nao ouve nunca os outros respirar

Quanto mais e mais o sol a tocar.

Triste ficará um dia quando tudo isso acabar

E aqueles inimigos que pensa ter 

Não são mais que os demónios

Que ao lado dela a fazem acordar.

E o Apelido de cada um sabe ela bem

Chamam-se Homens-Insegurança 

Por favor, que se cale e ganhe esperança

Não vê que o enjoo que me fica não a sustem.

Havia uma menina-mulher de seu nome Egoísta

Que queria ser grande e famosa 

Que cobiçava sempre a boneca da amiga

E no fim não passava de triste ‘pseudo-artista’.

Tao mau é querer ter o que não se tem

Quando outro o tem a seguir

é ser triste e pequeno e fugaz

E nas costas dos outros pensa que se mantém.

Do enjoo quase matinal que me deu agora

Peço à menina-mulher-Egoísta

Que parta, que vá embora.

(E é para nunca mais voltar)

impreterivelmente asked: És a melhor a responder a anónimos <3

muahahaahah <3

Anonymous asked: larga a vida dos outros, ficarás muito melhor

Que vida largarei se já nem vulto te vejo?

Anonymous asked: esqueceste-te de por aspas? ctrl + 2: põe-te no meio delas

“vai-te foder”

E houve um tempo

Um certo e exacto tempo
Em que os nossos corações se uniram
Por segundos.
E se conectaram com a força do centro da terra
Com o calor de um vulcão em ebulição.
E tu o sentiste , eu sei
E desviaste o olhar em seguida
Porque não acreditas.
Em mim.
No amor.
E eu dizendo-te todos os dias que te Amo.
Mais que a mim, mais que o ar
E tu dizendo-me que nada é eterno
E que o tempo muda conforme o vento.
E eu que to carrego nos ombros
Todos os dias
 Vento pesado e rápido
Que me faz correr e deitar no chão molhado.
Que me faz atravessar a montanha gélida
que insistes em por nesse sitio figurativo
Que te embrulha o coração.
E agora que em pouco creio Eu
E que o Mundo desabou como uma panela
No chão
Que faz mossa e barulho e que acorda a casa inteira.
Agora que os sonhos são apenas isso
E que deixei de te pedir agua
Pela simples razão que de sede não morri.
Nada
So o seres isso te peço
O que sempre foste
Um descrente das Pessoas e do Amor.
E me disseste sempre que o iria compreender um dia
Agora que ja tenho os meus ombros com pesos próprios
Luta tu , se puderes.
De tanto me negares a perfeição
Vejo o mau em todo o sitio que corro
Porque sinto que não ando
Que so me movo para nenhum fim.
Luta por mim tu, e beija-me o fundo
 Da-me o que te dei e me tirei.
Desta desilusao que me cerrou as pálpebras
Que me fez descrer de tudo o que te fiz crer
Se não há felicidade eterna
A fugaz também a não quero.
Viverei a vida como fumo um cigarro
Ate ao fim, até que se me queime os dedos.
Não acredito mais, também.
O eterno existe, que é o Universo
Nos somos só o nosso universo dentro de um casulo.

Apertado no Sentir
Solto para voar de aqui para além
Sem dores de perda nem de ganhos.

Mar Português

Sinto a sombra de toda a gente que passa por mim.
Dói-me ver-lhes a tristeza solitária
A falta de apego a esta vida
A vontade de nunca se levantarem da cama,
Para o trabalho,
Para pagar as contas de uma vida miserável,
Triste,
Portuguesa.
Se percorro o Mundo e vejo os sorrisos,
e os sinto,
Alimento-me deles,
Porque sou portuguesa
e tenha a alma de um fado.
Podíamos desenvolver, no nosso intimo,
Um fado vadio
Alegre 
Que nos fizesse querer acordar,
Amar.
Portugueses que no mar põem os olhos,
E que na terra se deixam esquecer
Que um dia o Mundo correu por nos.
Mudarmos o nosso pequeno Portugal
E torna-lo Grande e feliz
Porque a felicidade não é só dinheiro,
Poderes e bens
é termos este mar bravio,
Estes Homens que trabalham todos os dias,
Que tem valores,
Que são Humanos e que choram.
Fazer deste fado que nos interrompe a alma,
A nossa bandeira,
Não deixar cair os braços, de cansaço.
Eleva-los apenas para protestar nas ruas
Enquanto se embebedam os protestantes,
Não vai fazer de nos maiores nem melhores.
Caminhar e alcançar o muito
 com o pouco que temos.
Dos nossos antepassados ainda vivos
Que de um frango alimentavam sete almas
e que numa palha dormiam todos
Que cagavam num buraco e às folhas limpavam o cu
Que de menos temos nos?
Que tristeza se nos assemelha? 
Buscar Humanidade nestes tristes vagabundos,
Que somos nos, todos nos,
A envelhecer a pele e o pais.
Se ao menos as lágrimas caíssem no solo
e fizessem brotar o fruto pretendido.
Mas somos portugueses
E o fado que cantamos, sentimo-lo sozinhos
Em casa, na almofada.
Se o gritarmos na janela, bem alto
Se juntarmos o nosso com o vosso.
Partilharemos um frango e um pedaço de pão,
Juntaremos uns trocos e cresceremos.
Acabarmos com este egoísmo de ‘ser tão pouco para nos’
Ajudarmos do nosso fundo do bolso
A quem um sorriso e um pão seco baste.
Levantar a cabeça, gritar o nosso fado,
Porque a tristeza não é uma vergonha
é uma bênção para quem a sabe cantar.
Podemos partilha-la e chora-la
E fazer uma festa com os cêntimos guardados no bolso.
Em frente ao espelho do nosso pais 
O Mar 

A Antero

Antero que quente deixou suas palavras
Nascido para escrever e partir
Que das suas lágrimas que nos lavras
E de golpe o Mundo nos fazes sentir.

De Quental de nome, de frio de peito
Morto era antes de já ser vivo.
Que da sua caneta a dor surgiu efeito
E de calcanhar andara semivivo.

E agora, clamamos a ti Senhor,
Que cuides da mão dele com amor,
Com uma pena e tinta pousada,

E é na sua loucura mais perturbante,
Que suspiro por ele como amante,
Nesta corda bamba um pouco farsada.

deus é pai

Por vezes peço a mim mesma que pare de escrever. Mas não há, para mim, grito mais forte que este.
Assumi-o quando me impuseram a leitura como uma obrigação. Pensei que se abrisse o livro e colasse um ‘post-it’ em cada pagina, poderia olhar para ele, fingindo que o lia enquanto o escrevia.
Li quando tinha sensivelmente 8/9 anos um texto que o não compreendi. “Deus é bom. Mas o Diabo também não é mau”.
Mas agora entendo(-te).
Acho que tenho outra versão até. Deus é mau porque criou o Diabo.
E se o Diabo é o culpado por tudo isto, por estas gentes, que todos os dias morrem por ele, Deus que é o pai, perfeito ser espiritual, errou ao criar este seu filho infiel.
Não lhe deu educação, deixou-o vadiar.

Ressac(ar)

Isto de não ser a mesma todos os dias
De ter pedido perdão pelo que Sou
Não assumindo nunca a imperfeição
Que nas minhas entranhas coabitam.
Fazendo com que o meu fundo branco
Se misturasse com o Preto do alcatrão
Ficando este cinza, escuro, gasto.
Mulher feliz e apaixonada
Com as veias entupidas de sonhos.
Interrompidos e expostos
a este Sol que seca a vida.
Não sou Eu; não és Tu
São estas imposições (ir)racionais
Que nos tornam impacientes.
Haverá droga mais que forte que esta,
Que alivie esta angustia.
Tao forte que cure a única
e constante ressaca que tenho

Que é quando acordo de morrer.