Carmin
¨Para quem se interessa em (me) ler, é mais facil por aqui.
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Amor!
"Piedade
Carta n. 5486268
Amor,
De há tantos anos, de anos tão longos
Que se fecho os olhos quase que esqueço
Se algum dia houve o antes de ti.
Que de lágrimas me fizeste,
Que com larva me derreteste os pés, as mãos.
Olhamos ambos em frente, abraçados,
Eu vi azul, tu não viste cor alguma.
Sabes que depois te termos escolhido a cor do nosso coração,
Muito pouco podemos fazer.
Os pássaros que se põem na janela a cantar enquanto escrevo,
São reais,
As palavras que pronuncio calada, também.
O nosso amor já é, agora, uma realidade paralela.
Se me esqueceres hoje, esquecer-te-ei depois
Porque de tanto te pedir por favor,
O meu tom baixou o volume e agora só para dentro fala.
Se fugires e não me arrancares deste solo que me puxa,
Nada farei, nada de direi.
Vais e voltas quando achares necessário
Ou então, eu vou e não volto nunca.
Amor,
Que de tanto pedir que ames, me amei tão pouco…
A realidade é aquela que só nós queremos ver,
E esta ânsia de ser amada tornou-se
Na Dor de ter sido esquecida.
Nos teus braços que me dei um dia
Sinto agora que não me abraçarão nunca.
Como naquele dia em o meu amor era teu, e só.
A Avenida que percorri tornou-se longa de mais
E pensar em voltar para trás só para te ver,
Da me náuseas, erro cada pensamento.
Canso cada pisadela de asfalto.
Não me envolvas se o não quiseres
Da-me a agua que preciso para ir embora
E não tenhas sensibilidade na consciência.
Essa já te morreu há muito.
(Pior é que a mim também)
Menina-Mulher-Egoista
Havia uma menina de seu nome Egoísta
Com pernas longas e fortes
Ao Sol vivia sempre
Para a sua pele ser morena e bonita.
Tinha hálito de menta e alecrim
Dizia palavras doces da sua boca
E guardava para si todo o conhecimento do Mundo
Pensava ela (de si) “de mim”.
Cria que todos os outros seres pensantes
Eram uma grande imitação
Que todos se alimentavam do sumo dela
Não via nunca que a beleza se cria muito antes
Que pele é essa que de tão queimada é
Que da sua boca pensara sair todas as letras do Mundo
Uma alma que só se alimenta do desprezo dos outros
Que se enruga de tristeza ao Ser aquilo que o é.
Que de se exibir viver e de alto falar
Abafa quase todos os sons da rua
E nao ouve nunca os outros respirar
Quanto mais e mais o sol a tocar.
Triste ficará um dia quando tudo isso acabar
E aqueles inimigos que pensa ter
Não são mais que os demónios
Que ao lado dela a fazem acordar.
E o Apelido de cada um sabe ela bem
Chamam-se Homens-Insegurança
Por favor, que se cale e ganhe esperança
Não vê que o enjoo que me fica não a sustem.
Havia uma menina-mulher de seu nome Egoísta
Que queria ser grande e famosa
Que cobiçava sempre a boneca da amiga
E no fim não passava de triste ‘pseudo-artista’.
Tao mau é querer ter o que não se tem
Quando outro o tem a seguir
é ser triste e pequeno e fugaz
E nas costas dos outros pensa que se mantém.
Do enjoo quase matinal que me deu agora
Peço à menina-mulher-Egoísta
Que parta, que vá embora.
(E é para nunca mais voltar)
impreterivelmente asked: És a melhor a responder a anónimos <3
muahahaahah <3
Anonymous asked: larga a vida dos outros, ficarás muito melhor
Que vida largarei se já nem vulto te vejo?
Anonymous asked: esqueceste-te de por aspas? ctrl + 2: põe-te no meio delas
“vai-te foder”
E houve um tempo
Um certo e exacto tempo
Em que os nossos corações se uniram
Por segundos.
E se conectaram com a força do centro da terra
Com o calor de um vulcão em ebulição.
E tu o sentiste , eu sei
E desviaste o olhar em seguida
Porque não acreditas.
Em mim.
No amor.
E eu dizendo-te todos os dias que te Amo.
Mais que a mim, mais que o ar
E tu dizendo-me que nada é eterno
E que o tempo muda conforme o vento.
E eu que to carrego nos ombros
Todos os dias
Vento pesado e rápido
Que me faz correr e deitar no chão molhado.
Que me faz atravessar a montanha gélida
que insistes em por nesse sitio figurativo
Que te embrulha o coração.
E agora que em pouco creio Eu
E que o Mundo desabou como uma panela
No chão
Que faz mossa e barulho e que acorda a casa inteira.
Agora que os sonhos são apenas isso
E que deixei de te pedir agua
Pela simples razão que de sede não morri.
Nada
So o seres isso te peço
O que sempre foste
Um descrente das Pessoas e do Amor.
E me disseste sempre que o iria compreender um dia
Agora que ja tenho os meus ombros com pesos próprios
Luta tu , se puderes.
De tanto me negares a perfeição
Vejo o mau em todo o sitio que corro
Porque sinto que não ando
Que so me movo para nenhum fim.
Luta por mim tu, e beija-me o fundo
Da-me o que te dei e me tirei.
Desta desilusao que me cerrou as pálpebras
Que me fez descrer de tudo o que te fiz crer
Se não há felicidade eterna
A fugaz também a não quero.
Viverei a vida como fumo um cigarro
Ate ao fim, até que se me queime os dedos.
Não acredito mais, também.
O eterno existe, que é o Universo
Nos somos só o nosso universo dentro de um casulo.
Apertado no Sentir
Solto para voar de aqui para além
Sem dores de perda nem de ganhos.
Mar Português
A Antero
Antero que quente deixou suas palavras
Nascido para escrever e partir
Que das suas lágrimas que nos lavras
E de golpe o Mundo nos fazes sentir.
De Quental de nome, de frio de peito
Morto era antes de já ser vivo.
Que da sua caneta a dor surgiu efeito
E de calcanhar andara semivivo.
E agora, clamamos a ti Senhor,
Que cuides da mão dele com amor,
Com uma pena e tinta pousada,
E é na sua loucura mais perturbante,
Que suspiro por ele como amante,
Nesta corda bamba um pouco farsada.
deus é pai
Por vezes peço a mim mesma que pare de escrever. Mas não há, para mim, grito mais forte que este.
Assumi-o quando me impuseram a leitura como uma obrigação. Pensei que se abrisse o livro e colasse um ‘post-it’ em cada pagina, poderia olhar para ele, fingindo que o lia enquanto o escrevia.
Li quando tinha sensivelmente 8/9 anos um texto que o não compreendi. “Deus é bom. Mas o Diabo também não é mau”.
Mas agora entendo(-te).
Acho que tenho outra versão até. Deus é mau porque criou o Diabo.
E se o Diabo é o culpado por tudo isto, por estas gentes, que todos os dias morrem por ele, Deus que é o pai, perfeito ser espiritual, errou ao criar este seu filho infiel.
Não lhe deu educação, deixou-o vadiar.
Ressac(ar)
De ter pedido perdão pelo que Sou
Não assumindo nunca a imperfeição
Que nas minhas entranhas coabitam.
Fazendo com que o meu fundo branco
Se misturasse com o Preto do alcatrão
Ficando este cinza, escuro, gasto.
Mulher feliz e apaixonada
Com as veias entupidas de sonhos.
Interrompidos e expostos
a este Sol que seca a vida.
Não sou Eu; não és Tu
São estas imposições (ir)racionais
Que nos tornam impacientes.
Haverá droga mais que forte que esta,
Que alivie esta angustia.
Tao forte que cure a única
e constante ressaca que tenho
Que é quando acordo de morrer.
